“- Alô. ( ela atende ).
- .. ( Silêncio )
- Não vai dizer nada não ?
- Por que teve que ser assim? Por que estamos tão longe assim um do outro? Eu te amo, e sei que gosta de mim, não podemos viver desse jeito. Lembra de quando você me botava pra dormir. Lembro de pegar no sono enquanto eu ouvia sua respiração do outro lado do telefone. E da vez em que te liguei e tava saindo do colégio na chuva ? Eu me divertia tanto com você, eu amava estar com você. Mas agora nada mais é assim. Faz ideia do quanto machuca escrever isso ? E isso dói, você não faz ideia. Não faz ideia do tamanho da saudade que eu sinto de quando você me ligava e ficávamos horas no telefone . E no msn o seu nome era o primeiro que eu procurava ao chegar. Eu sinto falta de suas conversas. E por favor, não me faça chorar mais do que choro agora, todas as noites, todos os dias. Talvez, nesse momento deve estar brincando, sorrindo com um amigo, uma amiga. Deve estar pensando em algo muito importante, enquanto eu fico aqui, pensando no quanto eu sinto falta da sua voz. Sim, eu preciso muito de você. Lembra que prometeu cuidar de mim ? Se eu te dei motivos pra ir eu não sei, mas eu quero poder te dar motivos pra voltar, porque a falta que você me faz é insubstituível. Será que ainda poderá cumprir essa promessa ? Por favor, diga que tudo voltará ao normal, diga que você sempre estará aqui, me protegendo e sentindo ciúmes de tudo e de todos. Eu preciso de você como nunca precisei de ninguém. Só quero que diga que ainda está aqui. Quero que diga que estou no seu coração. Sabe, está doendo muito em mim ter que viver assim. Mas saiba que todos os dias quando acordo e quando vou dormir eu lembro um pouquinho de você, um pouquinho a todo instante.
- … ( Silêncio ).
- Fala alguma coisa, eu preciso saber.
- Eu te amo. ( Diz ela chorando e desliga ).”
— Outono